terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Escolhendo a Escolinha (texto grande)

Decidimos mudar Arthur de escola. Foi um processo enorme para tomarmos essa decisão que, até então, ainda é passível de mais mudanças. Estamos no meio de uma dúvida cruel: mudar de cidade ou não mudar? Ficar mais próximos da família e numa cidade pequena, ou morar numa cidade maior, porém distante dos nossos? Enquanto o trabalho do maridão não decide por nós, estamos esperando (em Deus) que essa situação se resolva o mais rápido possível. Por essas (e outras) decidimos mudar o pequeno de escola.

Já falei várias vezes aqui que, durante o ano de 2009, não houve sequer um dia em que meu pequeno foi satisfeito para a escola. A rotina diária de acordá-lo, dar banho, escovar os dentes, dar café da manhã, vestir o uniforme nele, convencê-lo a ir (por bem) para a escola, me arrumar, tomar meu café, até sair de casa e deixá-lo na escola, sempre chorando, estava me consumindo. Juro. Era muito sacrifício. Um dia ou outro perdido, conseguia fazer tudo rapidinho, ele colaborava em casa, saía feliz, mas nunca ficava bem na escola. Ou eu saía escondido (o que não é certo e não recomendo para ninguém) ou deixava-o chorando e saía com meu coração partido.

Tudo isso, aliado aos preços enormes das mensalidades e taxa de material escolar, nos fizeram mudar o ambiente. E Arthur colaborou muito com isso. Quando perguntávamos se ele queria ir para a escola antiga ou para a escola nova, ele sempre dizia que queria a "escola novinha". E assim fizemos, pelo menos por enquanto.

Aqui as escolas, pelo menos as que eu visitei, não orientam os pais antes das aulas começarem. Tenho lido em alguns blogs que nas escolas dos pequenos há uma reunião com os pais antes do início das aulas e na primeira semana é feita toda uma adaptação dos filhos à escola, os pais permanecem no recinto, para que as crianças fiquem seguras. Aqui não vi acontecer nada disso. Então, pelo que colhi de informações, fui fazendo a adaptação do meu pequeno do meu jeito, juntando sugestões colhidas nos blogs que acompanho. No primeiro dia de aula (01/02), fui levá-lo à escola. Decidi não sair mais escondido e permanecer na escola até o final do turno. Leveio-o para a salinha, entreguei-o à professora, e expliquei que ficaria esperando por ele num banquinho, perto da porta da salinha dele. Disse-lhe que, sempre que ele quisesse me ver, eu estaria ali. Deu certo. Ele foi para a sala tranquilo. Veio me ver apenas uma vez. Participou das brincadeiras, lanchou direitinho, encantou as professoras. Passava por mim tranquilamente, nem parava para me cumprimentar.
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Mas era o primeiro dia, né? Teve pula-pula na escola, carrinho de picolé, brincadeira no parque. E ele chorou apenas duas vezes: a primeira porque não queria sair do pula-pula, aí tive que ir lá, intervir e tirá-lo chorando mesmo. A segunda, porque ele ganhou um picolé e a auxiliar achou por bem que a filha dela desse uma 'mordidinha' no picolé dele. Aí não prestou. Tenho um filho perfeccionista, metódico (assunto para outro post), que não admite defeitos no picolé. Aí abriu o berreiro. Ah, teve um terceiro choro: na hora de vir pra casa. Não queria de jeito algum. Chorou para ficar na escola. Pode isso?
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No segundo dia, o papai foi levá-lo e pedi que fizesse da mesma forma que eu. Ele fez, mas nem precisou. O guri ficou tranquilo. Chorou novamente sem querer voltar pra casa. No terceiro dia, foi a vez da vovó (que vai alternar com o papai, por enquanto, essa tarefa de ir levar e buscar o pequeno na escola). E foi tudo tranquilo também, graças a Deus. Ela disse que ele deu um pouco de trabalho na hora de ir, chorou sem querer vestir o uniforme, nem escovar os dentes. Mas meu tio disse que a filha dele tem 9 anos e ainda dá trabalho na hora de ir pra escola, imagina um menino de 2 anos. hehehehe.
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Por enquanto estamos assim. Vou rever meus horários, o papai vai rever os deles, tudo para o bem do nosso filho, afinal é isso que queremos para os nossos filhos, não é? O bem. Sempre o bem!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Amor Filial

Há dois dias, fomos eu e o pequeno, para a rua, esperar o papai chegar do trabalho. O ônibus atrasou um pouco, e eu fiquei impaciente:
- Filho, vamos pra casa. O papai está demorando!
- Não, mamãe. Quero ficar esperando aqui só mais um pouquinho. Eu "adouro" meu pai. - disse o pequeno, todo agoniado.
- E por que você gosta tanto do papai? - investiguei, pra prolongar o tempo. E ele me responde, todo fofinho, enumerando nos dedinhos da mão:
- Porque ele me leva pra escola, me leva no hospital, pra costurar minha barriga, ele me leva no médico, ele é muito bonzinho...
- Só por isso? O que mais ele faz?
- Ah, mãnhêêê*. Ele faz muitas "ôtas" coisas boas pra mim.

Sei, sei... Puxa saco!


* ele agora está aprendendo a me chamar assim: manhê!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A birra dos 2 anos!

Meu pequeno melhorou muito. Muito que eu falo, é quase 90%. Acho que a idade vai chegando, afinal ele quase um senhor de 3 anos, e não convém ficar fazendo birra pelos cantos. Durante essa fase de 2 anos, passamos por momentos muitos difíceis. Choros, gritos, chateações, palmadas, consultas com neurologistas, psicólogas (inclusive virtual, né Tathy?). Cansamos de acordar no meio da madrugada com Arthur chorando - sem motivo aparente - por mais de meia hora seguida. Passamos algumas situações um tanto constrangedoras, quando os amigos ou parentes vinham cumprimentá-lo e ele chorava, batia nas pessoas, mandava embora, chamava de idiota...

Hoje, faltando pouco mais de dois meses para o terceiro aniversário do guri, posso dizer que estamos mais tranquilos. Acho que estamos na reta final dessa fase maluca, que prova os pais (e avó) a todo momento, que fortalece os laços e nos ensina a ser mais pacientes. Nessa fase difícil descobrimos que somos mães e pais de verdade. Que amamos incondicionalmente o nosso filho e somos o seu refúgio e porto seguro. Percebemos que não dá pra ser pai ou mãe completo sem que sejamos testados, provados. Há momentos em que pensamos "mais do que isso eu não sou capaz de suportar" ou "outra dessa eu não aguento" e depois nos vemos lá, numa situação pior que a primeira, e de tão fortalecidos que já estamos, nem nos damos conta de que foi mais pesada.

Ninguém nunca chegou para mim e disse que era fácil ter e criar filhos. Sempre ouvi dizer que eles dão trabalho, mas que tudo era compensado. E é verdade! A nossa recompensa é infinitamente maior que o trabalho que eles nos dão. Meu pai costuma dizer, referindo-se aos momentos de birra do pequeno, que "essas coisas que ele faz não são nada perto da alegria que ele dá quando está bonzinho". E é isso! Que venha a fase dos 3 anos (que é de quê mesmo?), dos 4, 5... quero acompanhar pelo menos até os 70 anos dele. Deus permita!

***
PS: Sobre o assunto Birras, a Letícia Volponi do "Pelos Cotovelos e Cotovelinhos" deu umas dicas excelentes, dignas de revista hehehehe. Vale a pena ler.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Cocô na Cueca

Ontem à tarde estávamos vendo televisão, de repente o pequeno levantou e afastou-se um pouco de mim. Comecei a sentir aquele "cheirinho" de coisa errada. Quando o procurei, ele estava escondidinho, ao lado do sofá. Percebi a situação. Perguntei, diferente da outra vez, bem calma:

- Filho, você está fazendo cocô novamente na cueca?
- Espera um pouco, mamãe! Ainda não terminei o cocô! - ele respondeu, estendendo a mãozinha para frente.
- Mas está certo isso? É pra fazer cocô na cueca? - falei, ainda mais calma.
- Não mãe! É pra fazer no peniquinho...
- Então por que você fez na cueca?
- Porque eu senti vontade, mãe!!!
- Tudo bem! Termine seu cocô e depois vá para o banheiro.

E foi o que ele fez. Terminou tranquilo. Fomos para o banheiro, dei banho, expliquei que aquilo tudo poderia ser evitado. Perguntei se ele gostava de ficar sujo, de ficar fedendo. Ele disse que não e prometeu que não ia fazer novamente. Claro que ele, ainda, não vai conseguir cumprir a promessa. Mas agora, muito mais calma e paciente, a gente vai resolvendo e se entendendo.

Paciência é palavra chave para essa fase de 2-3 anos. Vai passar!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Gíria

Estamos pensando em mudar de casa e, ontem pela manhã, fomos ver a "possível-futura-casa" e o levamos juntos. Mostrei o quarto que poderia ser o dele, mostrei a sala, a cozinha, enfim, a casa toda. E o pequeno fez algumas considerações:

- Essa sala não tem televisão!
- Por que essa cozinha não tem geladeira?
- O meu quarto é azul e rosa! Irado!
- Quero ir embora pra casa! Buscar nossos 'binquedos'!

Quando o acordei, depois da soneca da tarde, ficamos na cama conversando sobre várias coisas, até que lembrei da casa e perguntei se ele havia gostado dela, mesmo que ela não tivesse televisão, nem geladeira ainda, e ele respondeu:

- Fala xério, mãeeee!

E aí? Será que ele gostou? Estou velha demais pra entender essa gíria. Fiquei na dúvida se foi um "sim" ou um "não".

domingo, 31 de janeiro de 2010

99 não é 100

Hoje me chateei com o pequeno. Há dias que ele vem usando o peniquinho pra fazer o nº 2 e hoje fez na cuequinha. Mas me chateei de verdade. Levei-o ao banheiro, resmungando, brigando mesmo, dizendo que era feio, que ele já era rapaz, etc etc etc. Eu falando e o guri lá chorando, esperneando, dizendo que não queria tomar banho, com a perna toda suja, uma agonia total. Dei o sabonete líquido para que ele brincasse e calasse a boca. Deu certo. Num dado momento, eu ainda brigando, mas mais moderadamente, ele olha pra mim e diz:

- Ei, mamãe. Você não tem que ficar chateda!
- Você sabe porquê estou chateada? - perguntei.
- Porque eu fiz cocô na cueca! - ele respondeu, com a cara mais lisa do mundo.
- E está certo isso? Você já tem idade suficiente para saber que isso é errado! Você ainda vai fazer isso? - apelei, né?
- Não, mamãe! Vou fazer no peniquinho... Fica boazinha mamãe!

Sei que peguei pesado. Briguei pra valer! Mas fiquei chateada em ter que limpar aquilo tudo, quando poderia ser tudo bem mais simples. Mas sei também que meu pequeno não tem nem 3 anos ainda, e que ele estava envolvido numa brincadeira com o primo e não queria sair dali para ter que usar o banheiro. Errei feio. Não precisava tanto. Ele ainda é uma criança, quase um bebê. Uma conversa franca nessa hora teria sido bem melhor, sem choros, sem remorso. Fiquei com peninha do meu pequeno. E, claro, fiquei boazinha na hora (que pra ele representa: abrir um sorrisão). Aprendi que isso ainda vai acontecer algumas vezes e a paciência é o melhor remédio.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sombra

Gente, esse meu moleque está saindo com cada uma...
A mais recente é que ele foi passear com a vovó Naza. Foram caminhando e pararam ao lado da Igreja. Brincaram embaixo de um "pé-de-algabora" e na hora de vir embora, com o sol forte que faz na cidade onde a gente mora, o guri descobriu sua sombra e admirou-se:

- Olha, vovó: nossa sombra está pelada!

Mais na frente, a sombra deu aquela esticada, e ele percebeu a mudança:

- Vóoooo, nossa sombra está gigante agora!!!
.
Além disso, quando chegou em casa, falou:
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- Vó, adorei a nossa voltinha!!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Explicador

Não tem outra forma de definir essa criança hoje em dia. Para tudo ele tem uma explicação. E, diga-se de passagem, uma boa explicação. Explico:


Eu, querendo desviar a atenção do pequeno enquanto ele queria mexer no notebook, coloquei um desenho do Tico e Teco e comecei a tentar mudar o foco da atenção dele:


- Eita, filho! Olha! O Pato Donald está construindo uma estrada para andar de trem e vai derrubar a árvore dos esquilinhos.


E ele, falando e quase quebrando as teclas do meu computador, ao mesmo tempo:


- Não, mamãe. Ele não vai derrubar. Ele vai botar o trem na estrada, ele vai abrir a 'arvire' e vai passar por dentro dela. Aí, o Tico e Teco vai (sic) descer, e vai (sic) andar no trem com ele. Aí...



***
Outro dia ele derrubou um papel na área de sol da nossa sala. Subiu no sofá, ficou olhando o papel lá no chão e disse:


- Mãe, a gente precisa pegar ele. Você vai por ali, abre a portinha, aí você pula, entra aqui e pega o papel. Depois você volta e sai daqui e vem pra sala e me dá o papel. Ouviu mamãe?


E eu, distraída:


- Não ouvi. O que você falou?


Ele repetiu tudo do mesmo jeito e completou com um: "entendeu agora, mãe?"



Explicando assim...






quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Explicando o inexplicável

Já falei que ele anda inventando palavras, né? Então que hoje ele chegou pra mim e disse:

- Mãe, eu adóóóóro "lissos"...

Estranhei. Perguntei o que era:

- Você adora lixo?

- Não mããããeee. Lissos. Eu adoro lissos.

- E o que é lissos? - perguntei já temendo a resposta.

- Lissos é uma coisa bem pequeninha, igual uma joaninha. - responde ele, fazendo o gesto do tamanho do tal "lissos" com os dedinhos.

- Não sei o que é! - retruquei.

- Mããeeee! Lissos é bem pequeno, do tamanho de um passarinho. Do tamanho de um "pipicálu". Entendeu, mãe? Você gostou ou não gostou, mamãe? - insistiu ele.

- Adorei, filho. Adorei aprender o que é lissos.

Tenho certeza de que vocês também entenderam...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cheio de Gírias

Agora aprendeu! Além de inventar palavras como "pimpim", "pipicalu", ele desandou a falar gírias:

- Arre, vó! Isso é irado!!

- Olha vó! Tô pulando! Sinistro!

Hoje mesmo achou minha carteira de identidade funcional e disse:

- Olha mamãe! Achei um cartão da "lota".

Perguntei o que era lota, achando que ele estivesse confundindo com "Loto", mas ele respondeu:

- Lota é a amiga perfeita da Lulu!

Entendi nada! Mas essa é outra palavra que ele vem falando muito ultimamente:

- Esse desenho é perfeito!

Outra:

- Esse brinquedo é muito "espêxial"!

Ai. Ai...
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