domingo, 4 de outubro de 2009

Texto para Reflexão

Mesmo antes de ter um filho, sempre acreditei que os pais educam pelo exemplo. Não há nada mais correto que isso, quando o assunto é educação dos filhos.
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Pedi autorização à Mari, do Pequeno Guia Prático para colocar o link de uma postagem que ela fez sobre o texto de Eliane Brum, publicado na Revista Época, Entre os Muros da Outra Escola. Já tinha a maior admiração pelos textos dessa repórter, e leio desde que minha prima Dani falou sobre ela para mim, no início desse ano. Agora, tenho ainda mais. O texto é polêmico, mas nos leva a uma reflexão sobre o outro lado da moeda, os filhos que estamos deixando para o mundo, e não o contrário.
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Meu pequeno frequenta uma escola particular cuja mensalidade está além da minha realidade financeira. Uma série de fatores me fizeram optar por essa escola, como a proximidade de casa e o fato de eu não ter um carro, o horário estendido e o almoço por conta da escola, a professora que é amiga de uma amiga minha, e a questão de eu não querer mais contratar uma babá e ter problemas no futuro. Mas Deus sabe como tenho me esforçado para não tirá-lo de lá e arrumar uma babá para pagar pouco mais da metade do valor da mensalidade.
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O artigo de Eliane Brum serve como um alerta para nós, pais. Já lecionei em escola particular e vivenciei aquele tipo de preconceito de perto (não na pele, ainda bem). Alunos, cujos pais eram donos de supermercados, discriminarem os colegas por não possuírem celular (coisa rara no ano de 1999, pelo menos aqui no interior). Como também, atualmente, já me senti constrangida ao chegar à escolinha do meu filhote com ele no carrinho de bebê. Não tenho carro e moro perto da escola. As mães dos coleguinhas dele, que chegam nos carrões do ano, olham e dizem: "Pensei que era um bebêzinho, mas é um meninão, pra estar nesse carrinho", ou perguntam: "Ele está doente? Por que o carrinho?" Justifico, com um sorriso sem graça, que uso o carrinho mais por causa do horário de voltar para casa, porque, normalmente, ele está dormindo e o sol arde em nossa pele de tão quente que é.
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E agora, depois do artigo, passei a me preocupar com o que ele vai pode vir a enfrentar no fututo, uma vez que a situação só vem se agravando. A gente sabe que existe, mas não lembra, nos passa despercebido, até que alguém nos chama a atenção, como bem fez Eliana.
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A televisão e sua corrupção materialista formam dois tipos de pessoas: as consumistas, que se sentem obrigadas a ter o que lhes é imposto pela tv, sob pena de serem excluídas do círculo social em que vivem e as depressivas, que ficam doentes, literalmente, por não conseguirem ter o padrão de vida mostrado nas telas. Claro que existe a minoria, e terceiro tipo, que não se aliena e vive bem, mas quem nunca sonhou com aqueles apartamentos dignos de serem exibidos na Revista Caras? Com aquelas viagens ao exterior, os cosmésticos, roupas e acessórios de última moda? Os brinquedos e aparelhos de última geração? E, para uma assalariada como eu, se não ganhar na Loto, nem que trabalhe a vida inteira não consegue um patrimônio de um milhão de reais. Entretanto, os navios, as viagens, roupas, apartamentos, são caros, mas as revistas que mostram isso, não. Estão aí, bastante acessíveis.

Mesmo antes de ler o artigo da Eliane, já havia combinado com a minha mãe (maior patrocinadora dos presentes do Rei), que só daríamos presentes a ele em datas comemorativas: aniversário, Dia das Crianças e Natal. Ele tem vários brinquedos, muitos que sequer chegou a usar. Não é justo que, só para vermos a felicidade dele em abrir um presente, criemos uma pessoa materialista ou "mercenária", como diria minha irmã. Não vou impedir que ele ganhe presentes de outras pessoas, claro. Mas pelo menos nós, eu, maridón, vovó e vovô, vamos evitar dar presentes a todo instante e sem motivos. Até mesmo para que Arthur aprenda a valorizar o que lhe é dado, o esforço que fazemos para comprar e a emoção de esperar o aniversário, o Dia das Crianças e o Natal.

Vou guardar o texto para ler sempre e não pecar pela falta de cuidado. Vou ficar alerta e já direcionar a criação do meu filhote para esse sentido, preparando-o para a realidade do que possa vir a enfrentar no futuro. Mesmo que eu fique rica, o que não é meu objetivo, não vou deixar que meu filho seja preconceituoso e marginalizante. Mas eu quero mesmo é "ter na vida, simplesmente, um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca, de varanda. Um quintal e uma janela, para ver o sol nascer..." E ali criar meu(s) filhote(s)!
Leiam o texto. Não é brincadeira. É realidade. E está mais perto de nós do que imaginamos.

2 comentários:

Lia disse...

Pretendo passar aos meus filhos os valores que recebi de meus pais. Sempre tivemos boas condições de vida. Os dois são muito bem empregados e nos davam tudo o que fosse importante pro nosso desenvolvimento: boas escolas, livros à vontade, cursos de idiomas. No entanto, sempre vivemos uma vida muito simples: nada de carrões, roupas de marca, restaurantes chiques. Nunca houve desperdício de comida lá em casa e grande parte do nosso orçamento ia pra ajudar os avós e quem mais precisasse. Nossos passeios eram zoológico ou parque com lanchinhos levados de casa. As festinhas eram sempre pequenas, familiares, nada de grande eventos. E, se muitas vezes tive vontade de ter algo que a maioria dos meus coleguinhas tinham, creio que as negativas fizeram muito bem pra que eu entendesse o que é realmente necessário.
Ah, e uma coisa muito legal também: quando éramos crianças, minha mãe nos levou pra conhecermos o sítio onde ela nasceu, no perdido de Monsenhor Tabosa (CE). Aí a gente vê o que é pobreza e se acha ridículo por querer mais um carro da barbie.
Falei demais! Beijo.

Nathalia E. Strutzel Pádua disse...

este textooo realmente é muito reflexivo !!! eu li todinho!!!
devemos nos preocupar com os estudos dos pequenos nos dias de hoje !!!

bejossss