domingo, 20 de março de 2011

Chupetólatras Anônimos I



on the road...
Meu filho é um viciado em chupetas. Não há como negar. São quase quatro anos que ele chupa chupeta diariamente, mais de vinte vezes por dia. Acorda e dorme com ela. Passa o dia usando a dita cuja. Tem mais de dez chupetas por todos os cantos da casa, dentro das bolsas, etc. É fato!

Assumo toda a culpa. Levei a chupeta para a maternidade, queria mesmo que ele pegasse. Mesmo contra a vontade do maridón, que chegou a esconder a chupeta algumas vezes quando Arthur era recém-nascido, mesmo tendo ouvido toda uma palestra de minha professora Fabíola, que é também Fonoaudióloga. Mesmo assim, insisti, ofereci a chupeta e o guri agarrou-a com todos os dentes- ou com a ausência deles.

E ainda não sei se me arrependo. A chupeta tem lá seus benefícios - como o fato de o guri estar morrendo de sono e não se entregar, e quando recebe a chupeta, dorme em menos de 1 minuto. Isso foi de muita valia para mim. Arthur, sempre dormiu bem, a noite inteira, a não ser quando estava doentinho. Mas acho que os benefícios não compensam os malefícios. Arthur tornou-se dependente da chupeta para dormir, para ver televisão, para ir à escola. Os dentes dele arquearam rapidamente, pricipalmente depois que ele deixou de usar a chupeta com bico Universal, para usar a do bico Tradicional. Arthur esquece de comer, quando está com a chupeta. E é difícil fazê-lo tirar a danada na hora de comer. Acho que a chupeta não o deixa sentir fome com tanta frequência. E, pior que tudo isso, Arthur teve algumas infecções intestinais, feridas na boca e na garganta, que eu só credito ao uso da chupeta, que caía no chão e, por vezes, ele pegava rapidatamente e colocava na boca, sem que tivéssemos tempo de lavar.

Há um ano, maridón e eu, temos tentado tirar a chupeta de Arthur. Ele já prometeu entregá-la ao Papai Noel, mas na hora chorou muito, não quis dar de jeito nenhum e ainda ficou com o presente. Resolvemos restringir o uso somente na hora de dormir, o que surtiu algum efeito, mas não muito, porque no cochilo da tarde ele sempre está com a avó, que morre de pena de tirar a chupeta dele. Li uma postagem da Roberta Lippi, no Projetinho de Vida, onde ela diz que amarrou a chupeta da Luísa na cama. Não contei conversa e fiz a mesma coisa. Serviu, um pouco, mais ainda tinha a questão de não estarmos com ele na hora da soneca da tarde e o fato de que Arthur, além de chupar a chupeta, ele segurava outra e cheirava.

Minha preocupação era que os quatro anos dele se aproximavam e eu sabia, porque já vi casos na minha família e porque já li muito sobre o assunto, que se ele largasse a chupeta antes dos quatro anos, os dentes dele voltariam normalmente ao lugar, sem precisar de aparelhos ortodônticos. Resolvi que nas nossas férias, eu daria um basta na chupeta. E as férias chegaram, e com ela muitas viagens, dias e dias na casa de familiares, e eu sem coragem de tirar a chupeta de vez, e ele fazer escândalos nas casas dos outros. Decidi adiar ainda mais.

Então inventei para Arthur que existia uma loja de brinquedos maravilhosos, todos os brinquedos que ele sempre sonhou, mas que lá na loja só vendiam com chupetas. E que lá tinha um Buzz Lightyear gigante, quase do tamanho dele, e que ele custava dez chupetas. Prometi-lhe que no dia do seu aniversário eu o levaria lá e ele poderia escolher o Buzz ou outro brinquedo e pagar com chupetas. Desse dia em diante, quando a gente reclamava da chupeta, ele dizia:

- Ainda não chegou meu aniversário. Eu vou comprar um Buzz e pagar com minhas chupetas.

(Continua...)


Um comentário:

Mamãe pela 2ª vez disse...

Essa de pagar com chupetas é inovadora rs.
Aqui em casa nem um dos dois pegou chupeta e olha que ainda to tentando fazer Lívia pegar, porque ela esta com dentinhos fazendo meu peito de chupeta e ainda me mordendo, o Deus.
Vamos esperar pelo aniversário dele e torcer que de certo, estou na torcida por ti.
Bjus