domingo, 25 de abril de 2010

Uma Criança de 3 Anos - O Eu e o Outro

Quando eu ainda estava grávida, meu pai achou em suas andanças uns livrinhos chamados de Guia Prático da Mãe. Aparentemente, eles saíram como suplemento da Revista Crescer, no ano de 1993. Apesar da idade, eles são bem atuais e lendo-os, percebi que criança são todas iguais, umas mais, outras menos, umas mais cedo, outras mais tarde, mas todas iguais.

Então, agora que o meu menino completou 3 anos, tirei da gaveta o volume 5, que vai dos 3 aos 6 anos. Ele define exatamente, com riqueza de detalhes, a fase em que meu pequeno se encontra. Segundo o Guia, nessa fase, "os tempos de bebê ficaram definitivamente para trás. Agora a criança é ativa e independente, desenvolve sua autoestima, aprende as principais normas de convivência. Através de jogos e brincadeiras, ela descobre o seu espaço no mundo". O livro é composto de perguntas e respostas. Vou transcrever as que achei mais importantes, (em posts separados, pra não ficar monótono) principalmente sobre a Criança de 3 Anos, julgando ser útil para mais alguém na mesma situação que eu.

O EU E O OUTRO

Como a criança de 3 anos "vê" a outra pessoa?
Ela ainda costuma achar que as pessoas existem para servi-la. Se toma o brinquedo de outra, pode até devolvê-lo para agradar o adulto, mas não entende o motivo. A força de seus desejos impede que reconheça o direito dos outros. Absorvida demais em si mesma, na descoberta de seus talentos, do seu corpo, das coisas acontecendo à sua volta, não consegue se ocupar com mais ninguém.

(Ultimamente, quando quero conversar sério com Arthur, ele cruza os braços e diz, olhando pra cima: "-Mãe, eu tô muito 'aculpado')

Por que aparece esse egocentrismo tão forte?
É que nessa época cresce na criança a necessidade de sentir-se alguém, afirmar-se como um indivíduo independente da mãe. Ela começa a desenvolver sua personalidade apoiando-se nas diferenças entre elas e os outros.

Ela já é capaz de entender e aceitar regras?
Nessa época, normalmente, ela já é capaz de sair de dentro de si e perceber a existência dos outros - e está pronta para assimilar normas de conduta. As primeiras regras que aprende estão relacionadas com a maneira de se portar e conviver com as pessoas. Algumas já podem mostrar respeito e consideração pelos outros ao longo do terceiro ano de vida. Mas é preciso paciência para ensinar, o processo leva tempo!

É preciso rigor se ela se recusa a jantar ou tomar banho?
Não, é preciso jeito e paciência. Essa é uma idade em que as crianças brincam sem se cansar. Mexem em tudo, desmontam, inventam, como se sua energia não tivesse fim. Cada segundo parece importante e indispensável. Obrigá-la a parar o que está fazendo para comer, tomar banho ou dormir provoca reações indignadas. A adaptação desse vaivém entre prazeres e deveres leva tempo, mas essa é a maneira de a criança crescer e aprender a viver.

O que fazer diante da bagunça?
Não adianta a mãe argumentar que acabou de arrumar a casa nem sugerir ao filho que se coloque na sua situação. Nessa fase, a criança só é capaz de perceber o seu próprio ponto de vista. Aliás, ela sequer desconfia de que existem opiniões diferentes da sua. Também não se pode cobrar dela a lógica de um adulto nem dizer que ele "já é um homenzinho", principalmente porque não é verdade.

Então é certo afrouxar as normas da disciplina?
De jeito nenhum. As regras da casa têm que ser claras. É preciso mostrar as crianças os limites e apontar seus erros, sim, mas com naturalidade. Broncas e eventualmente um castigo têm o seu papel - para que ela sinta a diferença entre agir certo e errado. Porém, com muito critério, para não banalizar esse recurso. O castigo físico não é o mais recomendado pelos educadores. Quando a questão for séria, pode-se pesar na restrição de liberdade - mandar a criança sentar ou pensar - ou retirar-lhe um privilégio. Por exemplo, proibi-la de assistir a um programa que adora.

***

Por hoje é só pessoal! Amanhã, resultado da promoção. Ainda não sei como farei o sorteio. Quero dicas para ser o mais justa e livre de qualquer suspeita possível.

Um comentário:

Nathalia Strutzel Pádua disse...

aaaah que tudo !!! quero também estes livrinhosss...que ajudam e muito né !!
pena que são de 93 ! e eu não vou achá-los tão fácil !!!!
mas legal a suaas dicas...

beijão