domingo, 2 de maio de 2010

Nervos e Aftas

Já falei várias vezes aqui o quanto sofri com os "nervos" de Arthur. Desde que nasceu, só tomava banho se alguém segurasse suas mãos ou se estivesse de luvinhas. E quando tirávamos a luvinha, ele chorava e gritava muito. Parecia que se sentia desprotegido de alguma forma. E ele foi crescendo e os nervos também, na mesma proporção.
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Aprendeu a bater a cabeça no chão, a se jogar para trás, correr, chorar até suar e ficar roxo e, recentemente, a fugir de casa. Fomos à Neurologista, fizemos uma bateria de exames, desde EEG à Tomografia. Ela receitou Calman, um remédio natural, por 6 meses, mas não andiantou muito. Depois, com os resultados dos exames sem qualquer alteração (graças a Deus), ela o encaminhou à Psicóloga, com o diagnóstico de Hiperatividade.
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Passado tudo isso, ele deu uma melhorada. Já não batia a cabeça no chão, mas ainda tinha um gênio forte e, diante de qualquer contrariedade, o escândalo era imenso. O que evitava saídas para casa de parentes, viagens mais longas, passeios em shopping ou clubes. A gente ía, mas não era com a mesma frequência de quem tem um filho pequeno.
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Desde novembro do ano passado, enfrentamos alguns momentos de dúvidas em relação à mudança de casa e de cidade. Ficamos um tempo na casa da minha mãe e decidimos realmente mudar. Desde esse período, Arthur piorou. Não quero dizer que a mudança foi o motivo. Mas que eu acho que contribuiu para aumentar o que ele já sentia. E nessa última semama chegamos ao ápice (espero em Deus que tenha sido) do desespero. Ele anda nervoso, chorando por qualquer coisa, suando, tremendo, não dorme e, quando dorme, não passa de 2 horas dormindo, mesmo à noite ou de madrugada, e acorda chorando, irritado. Não deixa que cheguemos perto dele, voltou a bater a cabeça no chão.
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A Psicóloga descartou a hiperatividade. Marcou mais três sessões para depois dar um diagnóstico. Nesses dois últimos dias, apareceram algumas aftas na boca dele. Algumas não, muitas: na língua, na garganta e até no céu da boca. Então, aliado à tudo isso, ainda veio a fome. Ele não comia e nem dormia. A irritação era imensa, insuportável. A pediatra disse que era uma virose (até isso) e, talvez, uma bactéria. Passou Ad-Muc, uma pomadinha à base de camomila, Hexomedine Spray e Astro, um antibiótico porque ele teve febre.
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Eu cheguei no limite da paciência, da razão. O pior, e eu recomendo que NINGUÉM faça isso, é ouvir opiniões de quem acha que sabe. Pessoas que, ao invés de ajudar, criticam. Dizem que é inadmissível deixar uma criança bater em nosso rosto, que a gente deveria dar umas "palmadas", colocar de castigo. Outras pessoas dizendo que era a criação errada, que era televisão demais, que ele era muito mimado, que a avó dengava demais. Não ouvi ninguém dizer (a não ser minha mãe e minha sábia avó) para que eu tivesse paciência. Não ouvi ninguém perguntar se eu precisava de ajuda. Se o maridón não intervia quando eu estava com Arthur nos braços, chorando, diziam que ele não ajudava. Se ele pegava o menino dos meus braços e era mais enérgico, criticavam. Só críticas. Ninguém sabe o que é ver um menino chorar por 2 horas seguidas, sem parar e vc não poder fazer nada. Cheguei a colocá-lo no carro e levá-lo ao hospital para dar soro e um tranquilizante. Não fiz porque ele dormiu na porta do Hospital. Voltei pra casa e pedi a Deus que ele acordasse melhor. Desde quinta não dou um banho direito no meu filho, não escovo os dentes dele, não visto uma roupa nele com tranquilidade. Só ontem à noite, consegui uma trégua.
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Ficamos todos uns trapos. Eu, minha mãe, meu marido e Arthur. Cansados, irritados. Hoje, a tempestade passou. Ainda restam vestígios dela. Ele ainda está irritadiço, nervoso. Mas já dormiu bem por duas noites (das 2 da madrugada às 8 da manhã), já dormiu à tarde. Ainda estamos pisando em cascas de ovos com ele. Evitando que ele se irrite. Não estamos fazendo o que ele quer, na hora que ele quer. Estamos distraindo a atenção dele e mantendo-o ocupado antes que ele pense em "querer" alguma coisa.
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Tenho muito o que escrever, tanta coisa pra contar. Colocar fotos das festinhas dele, mas ainda estamos vigilantes e cuidando do nosso pequeno. Enquanto escrevo, ele brinca na calçada com o primo e o avô. A ajuda? Oração. As feridas na boca estão medicadas, sumiram quase todas, restando duas na língua, que ainda o incomodam. Deus está no controle de tudo. E é nEle em quem confiamos.
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(Escrevendo isso, não quero expor o meu filho, quero apenas que sirva de consolo a quem esteja passando pelos mesmos problemas e que fique registrado, para futuras consultas, principalmente sobre os nomes dos remédios, que só foram ministrados sob orientação médica).

11 comentários:

Bia Mello disse...

Oi querida,
Nao fazia ideia de que a situacao estava complicada assim. E nestas horas, em que tudo o que a gente precisa é de paz, sempre tem gente dando opniao e fazendo críticas. Tenha paciencia sim amiga...com as pessoas que nao entendem a situacao...porque isso por si só ja dá nos nervos!
Se puder, continue contando como as coisas estao, creio pode ajudar outras pessoas assim como voce mesma, que ao contar, reavalia a situacao e fortalece a fé de que tudo sera resolvido em breve, que esta fase complicada tem dias contados. Sobre a ajuda em oracao, esteja certa de que o Arthur ja entrou na minha listinha de pedidos, ta? Sei que o Senhor é maravilhoso e fiel para nos orientar e mudar toda e qualquer situacao!
Fica firme, maezinha! E enche este mocinho de beijos! :)
Bjs,
Ps.: Desculpe, nao consegui falar contigo ontem no msn...deixo ligado, mas nao páro na mesa...

Paloma disse...

É, Val, não é fácil mesmo ser mãe. E passar por tantas situações difíceis. Estou aqui torcendo pela melhora do pequeno, mandando um pensamento positivo pra vocês. bjos
Paloma e Isa

Lia disse...

Tadinho dele. Porque você sofre, mas ele também. Deus esteja com vocês, e que essa fase passe rápido!

Letícia Volponi disse...

Ai, que perrengue. Esperi que logo isso tudo acabe e ele volte a ser o menino doce que vinha sendo até pouco tempo...

Nina Nishioka disse...

Oi amiga! Li o post todo e pude notar sua preocupação, cansaço e tristeza, mas também pude notar todo o carinho, amor, paciência e FÉ em DEUS. Eu acho que o melhor que você pode fazer é ficar do ladinho de Deus mesmo, orar e buscar a Sua ajuda. Eu sei que você vai conseguir. Quantos aos críticos de plantão, não devemos ligar pra eles amiga, principalmente pra àqueles q dizem "dá uma palmadinha",esses demonstram a falta de conhecimento e sabedoria. Com crtza o que o Arthur tem não é só manha, senão você teria notado, tenha certeza. Mas FORÇA amiga, PERSEVERE, estarei te apoiando e se quiser alguém pra desabar não exite em pedir meu msn pra conversarmos! Tenho uma sugestão (apesar de achar q vc já pode ter feito): A noite ou um horário em que Arthur esteja calmo pra conversar perguntar pra ele o que tem o deixado bravo, o que ele nao tem gostado. Ter um momento de oração com ele acho q também seria bom. Um beijo, aguardo notícias!

Sara disse...

Amiga, nem sei o que dizer.
A situação é realmente é muito compicada e, infelizmente, em nossa região não temos tantas opções de atendimento especializado. Estou com o coração muito aflito. Arthur é tão criança e já passando por tantas coisas, porque, como disse a Lia, ele também sofre. Sei do quanto você é boa mãe e do quão você é dedicada e paciente. Imagino que nao deve mesmo ser fácil administrar essa situação ainda mais com tantas opiniões que se multiplicam dos "donos da verdade". Que, embora queiram ajudar, terminam atrapalhando.
Ainda bem que você tem Naza que é uma grande mãe e uma avó maravihosa e sua grande companheira no desempenho desta tarefa.
Claro que, como você sabe, estou terminando este post e pegando o cel para te telefonar.
Um beijo e fique bem!

Sara disse...

Amiga, nem sei o que dizer.
A situação é realmente é muito compicada e, infelizmente, em nossa região não temos tantas opções de atendimento especializado. Estou com o coração muito aflito. Arthur é tão criança e já passando por tantas coisas, porque, como disse a Lia, ele também sofre. Sei do quanto você é boa mãe e do quão você é dedicada e paciente. Imagino que nao deve mesmo ser fácil administrar essa situação ainda mais com tantas opiniões que se multiplicam dos "donos da verdade". Que, embora queiram ajudar, terminam atrapalhando.
Ainda bem que você tem Naza que é uma grande mãe e uma avó maravihosa e sua grande companheira no desempenho desta tarefa.
Claro que, como você sabe, estou terminando este post e pegando o cel para te telefonar.
Um beijo e fique bem!

Sara disse...

Liguei, mas vc nao atendeu

Vany Piher disse...

Mana.
O psicologo dele agora será Deus!

Deus tem um propósito muito grande na vida de Arth, acredite! E precisamos vencer essa coisa da alma, do espírito mesmo!

Tenha fé.

Danileide disse...

Val, aprendi uma coisa que venho tentando aplicar: "Debaixo do céu há um tempo para cada coisa!" (Eclesiastes 3:1-2)
Tenha paciência e fé. sei que falar é mais fácil do que executar, mas tente. Por você,pelo seu marido e principalmente pelo seu pequenino Rei. Não se desespere, pois ela é a falta da esperança e sem esta as coisas tendem a se tornar insuportáveis. Deus está contigo. Somos testemunhas da paciência e do amor que você e Naim tem pelo Arth. Outro dia desses mainha estava comentando o quanto acha bonito Naim brincar com Arthur como se fossem duas crianças.
Não desanime. Não te desespere. O tempo de colher chegará.

Danileide disse...

Amo vocês...